Crime ambiental em Zalala: Zona de proteção invadida para habitações

Nos últimos anos, sobretudo quando a pandemia da Covid-19 começou a se fazer sentir, indivíduos que alegam ter autorização, começaram a invadir a zona de proteção da praia de Zalala, derrubando as casuarinas e dunas, tidos como elementos essenciais para proteção do ambiente.

Os mesmos indivíduos, estão a erguer infraestruturas de alvenaria, colocando em risco o ambiente, visto que o derrube das casuarinas e dunas, pode ter consequências drásticas no futuro.

Uma denúncia popular, fez com que o Diário da Zambézia se fizesse ao local e, no terreno constatou o drama que se vive. No local, foi possível conversar com algumas pessoas, e temendo represálias, sem dar a cara, explicaram que na verdade, eles também foram contactados por outros, dando conta da existência de espaços à venda na praia de Zalala. E, como todos querem ter, mesmo que seja um m2 de terra em Zalala, uma zona turística, acorreram e a “festa” começou.

Quando questionamos quem autoriza essa atribuição de espaços em zona como aquela, os entrevistados evitam apontar nomes de forma concreta, mas dizem que há um compadrio que começa da Sede da Localidade, porque conforme frisaram, há sempre alguém (que não indicaram) que os acompanha e recebe os valores em mão, muitas vezes, resultantes da atribuição dos referidos espaços naquela zona proibida da praia. Quem é essa pessoa, todos evitam mencionar, mas dão garantias que não é coisa nova. Aliás, de acordo com os nossos interlocutores, há um grupo de contacto que procura pelos interessados e depois, encaminha-os. Questionamos ainda se isto tudo pode ter mão de altas figuras do distrito, mas a resposta foi: “Já vimos aqui mesmo estruturas da localidade, olharam e não fizeram nada”– disse um dos entrevistados que omitimos a sua identidade.

Uma outra fonte que diz ter comprado espaço nestes locais proibidos por lei, assume que tem noção da violação, mas explica que era tão barato, por isso não resistiu. Deu-nos detalhes do projecto que pretende implementar naquela zona das dunas, na esperança de, segundo ele, fazer o melhor no turismo.

Indivíduos cortam casuarinas para fazer carvão

Se por um lado há essa saga de procura de espaços, lá mais ao fundo, portanto uns kms para uma zona calma, há um outro crime ambiental. As casuarinas estão sendo devastadas para a produção de carvão vegetal.

Em plena luz do dia, há indivíduos vendendo carvão em sacos, como resultado deste desmatamento que está a acontecer no interior da zona de proteção da praia de Zalala. As autoridades nem sequer estão preocupadas com isso, porque os vendedores desfilam à luz do dia com o seu produto. Refira-se que a devastação de dunas e casuarinas pode trazer problemas ambientas bastante graves, por isso, há que travar quanto cedo.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*