Opinião: “Eu não me lembro…mas eu me lembro bem”

Por: António Zefanias

Esta é a célebre frase que nos últimos dias está a ser bastante utilizada até em forma de gozo.

Mas ela resulta das respostas que alguns réus/arguidos em julgamento no caso das “dívidas ocultas” na Cadeia de Máxima Segurança em Maputo, tem vindo a proferir quando são questionados pelos sujeitos processuais.

Sim, eu não me lembro…não me lembro de quase nada, porque até não tenho memória de…

Caríssimos, fui buscar essa frase para mais uma vez trazer à tona um assunto que todos sabem, pelo menos aqueles que vivem na Zambézia.

A estrada Quelimane-Namacurra, uma extensão de cerca 70 km, que quem por ali passa pergunta: “Que pecado os zambezianos cometeram”?

Mas enquanto lá na tenda não se lembram, eu aqui foram me lembro que aquela estrada foi reabilitada por uma empresa italiana (quem pagar a publicidade eu direi), e sempre se trouxe alegria porque, circulávamos sem problema. Quem deveria garantir a manutenção desde a sua reabilitação, deve ter se esquecido que o fluxo de camiões que passa naquela estrada é diferente da estrada que vai a Inhassunge por exemplo, ou Morrumbala.

Entram e saem camiões de grande tonelagem e isso, todos passando por ali e hoje, a estrada está uma lástima porque não houve atenção suficiente para garantir a manutenção.

Lembro-me das empresas que andavam ali a cozinhar alcatrão a colocar nos buracos usando baldes e quando perguntava, a resposta era: “dinheiro que nos deram só chega para esse trabalho” – fim de citação.

Tudo isso lembro-me como se fosse hoje. É preciso mudar a face daquela estrada, assim não. As ambulâncias que evacuam doentes, não sei se alguma vez não perderam os pacientes naquela estrada.

 Mais uma vez é preciso que o povo se levante, basta de nos acobertamos nos “whatsapps, facebooks, etc” para reivindicar uma situação como esta. Os que nos dirigem devem saber respeitar-nos, porque aquela não estrada que dignifique uma província como a Zambézia, ainda mais da entrada e saída numa capital. Só para terminar, que tal, rasparem todo aquele resto de asfalto e deixarem apenas terra-batida, vamos engolir poeira sim, mas pelo menos vamos poupar a danificação dos meios.

Se ainda querem tempo e paciência, eu até aceito, mas devem saber que tenho uma memória de…Não Falei Nada.

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