OPINIÃO: Muitas mulheres vítimas de violência domêstica ainda vivem sob o mesmo tecto do agressor, por estigma e medo do “julgamento social”.

Por: Seana Daúd

“Uma em três mulheres no mundo sofre violência física ou sexual em algum momento da sua vida. Isto afecta todos os países, e Moçambique não é excepção”. (extraído em 27.01.2021: www.unicef.org/mozambique/t%C3%B3picos/viol%C3%AAncia-baseada-no-g%C3%A9nero).

A questão da violência contra o gênero já atingiu proporções significativas, segundo a UNICEF- Moçambique, estima-se  que uma em quatro mulheres sofre esse tipo de violência a nível do País.  

A violência sexual e de género, os casamentos prematuros,  as leis tradicionais e culturais que não comungam com as leis nacionais em relação a igualdade e equidade de  gênero, as desigualdades do poder enconómico e financeiro entre homens e mulheres, a limitação do acesso á educação principalmente para as raparigas  são algumas das manifestações de desigualdade de poder entre homens e mulheres.  A desigualdade entre os gêneros  impede que mais que metade da população participe plenamente na sociedade, exerce enorme pressão sobre os sistemas de saúde, educação e justiça e consequentemente,  desacelera o desenvolvimento económico e social do país.

As consequências da violência contra o gênero duram gerações, apesar de muitas dessas mulheres ainda viverem sob o mesmo tecto do agressor, por estigma e medo do “julgamento social”, mantêm-se “presas” em relacionamentos tóxicos e que perigam as suas vidas e ainda comprometem a formação e educação de muitas crianças e que consequentemente,  tornam-se  a imagem e semelhança dos seus progenitores. As mulheres e as crianças são as maiores vítimas das diversas formas de violência, sobretudo aquela que é perpetuada pelos homens, muitas vezes conhecidos e parentes das próprias vítimas.

Vários programas de mentoria e aconselhamento estão a responder à necessidade de se criarem espaços seguros para aprendizagem e a treinar jovens para orientar os seus pares sobre questões baseadas na violência sexual e do género e casamentos prematuros, via mensagens de texto e pessoalmente, o que é de  se louvar.  Entretanto, mais do que existirem programas de activismo, é importante empodendar as mulheres e garantir que estas  tenham acesso a educação formal a todos os níveis de ensino para que sejam economicamente independetes e, principalmente para que através da educação e  instrução técnica  lhes seja possível resgatar a sua autoestima garantindo que sejam respeitadas dentro e fora do seio familiar.  

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*