“O filho do agricultor zangou…”

Este titulo pedi emprestado a um amigo, que pela amizade ele consentiu o seu uso nestas escritas de hoje. Obrigado “mbalaga”, ele veio a calhar.

De facto, o filho do agricultou zangou mesmo e por estes dias, não quer saber de nada, pior ainda quando falam da agricultura, seu campo de ação, a coisa dói lhe mais.

Estou a falar do meu respeitado mais velho e governador Pio Matos que na semana passada, “insurgiu-se” na Assembleia Provincial da Zambézia, quando um membro levantou-se e falou da agricultura que é praticada com enxada de cabo-curto.

É sobre este termo “enxada de cabo-curto” que o mais velho, sendo ele filho de um agricultor, o já falecido Matos(Deus o tenha), não conseguiu engolir perante aquela plenária e deixou sair o que sente na famosa enxada de cabo-curto.

Foi interessante e pessoalmente acho que também foi oportuno, não só para os membros da assembleia, mas para o sector agrário que inventou a coisa de “enxada de cabo-cumprido”, alegando que era para evitar que os camponeses inclinassem no acto do trabalho.

Quando de forma honesta o governador disse que “todos saímos desta enxada de cabo-curto”-sic, pelo menos eu concordo e me revejo totalmente, mas não é obrigatório que tu também concordes, cada um sabe como conseguiu a vida.

Aliás, interessante foi ouvir a abordagem do mais velho dizendo que os doutores de hoje, alguns são resultado desta enxada de cabo-curto. Isto toca certamente a um cidadão como eu, um pé descalço. Sei que o governador falou de coração aberto e um sentimento imenso por tudo aquilo que ele passou.

Lembro-me nos tempos, lá na Freguesia quando miúdo, a malta via o mais velho Pio com seu pai(malogrado) no tractor saindo dali do Padeiro, mesmo próximo a ponte metálica onde havia uma grande lixeira, mas do outro lado, a família Matos produzia hortícolas em grandes quantidades.

Nós os miúdos dos tempos, já sabíamos a hora que eles passavam e ficamos escondidos à espera do tractor carregado de tomate, alface, repolho, etc, mas tudo isso resultava da enxada de cabo-curto. Hoje, ele é o que é, por um lado por causa desta enxada de cabo-curto que o país diz que não deve existir.

Como disse, maior parte de nós somos produto da enxada de cabo-curto, por isso não há que inventar mais termos. Continuaremos saudosistas deste tipo de enxada, porque ela nos representa.

Quero aqui mais uma vez deixar a minha vénia ao governador e sobretudo ao mais velho Pio Matos pelo sentimento expresso em torno deste assunto. Nisto, estamos juntos ilustre. Enfim, permitam-me caros leitores que hoje termine assim “Falei”.

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