Deixem Pio “piar” à vontade

“Os zambezianos querem ser donos do seu poder, mas o poder central resiste…”– Pio Matos, na Assembleia Provincial da Zambézia

Na verdade, não sei o porquê de tanto barulho em relação aos pronunciamentos do governador da Zambézia, Pio Matos no dia 16 de Setembro corrente aquando da sessão da Assembleia Provincial, quando ele abordou o assunto da descentralização, onde disse que “descentralizar não era negócio fácil, o poder central resiste…se eu der receita eu ficarei com o quê…dai que os zambezianos querem ser os donos do seu destino…”-sic.

O tema sobre descentralização foi abordado em espaço público onde estavam os representantes do povo, mas agora gente está procura de elementos para levantar poeira e até procuram o culpado.

É compreensível porque o jornal trouxe à tona essas palavras e também olhando o protagonista. Se calhar se este assunto fosse dito pelo governador de Gaza, não teria mesmo eco, mas como é na Zambézia, há opiniões que apontam o dedo como sendo tribalismo. A maior felicidade minha é que isto foi falado pelo governador eleito pela lista do partido Frelimo.

Mas indo ao concreto, na minha pobre análise e conhecendo a política doméstica, Pio Matos só está ser condenado pelos seus antecedentes, onde sempre mostrou frontalidade quando a coisa não lhe entra. Nunca foi cobarde, por isso que teve sempre embates no seu partido.

Desta vez, quando ninguém esperava, Pio “piou” e deu baile à sério e isso está sendo mastigado.

Para mim, os que levantam problema nisto acusado o governador de tribalista ou sei lá mais alguma coisa, são os aproveitadores, aqueles que sempre falaram em surdina. Todos sabemos as trafulhices desta coisa de descentralização. Ninguém estaria satisfeito com uma lei como esta que retira o tapete vermelho ao governador de província. Ter um governador com poderes abaixo de um edil no mínimo é estranho. Portanto, olho para o meu mano Virgílio Dinheiro lá na Maganja, Felisberto Nvua em Milange, meu tio Geraldo Sotomane em Mocuba, tio Muananvuca em Alto Molócuè, para não falar do vovó Aniceto de Guúè, embora com suas trafulhices, mas pelo menos tem poder local à sério.

Por isso mesmo que o próprio governador disse na sua locução que descentralizar “não é negócio fácil”-sic.

Gostava de pedir as alas dentro da Frelimo para deixarem na paz o governador, ele não foi cobarde pelo menos naquele dia, mordeu e soprou como faz um rato. Façam os vossos encontros na boa, mas deixem quem sente na pele fala o que lhe vem a alma. Se ele pudesse naquele dia na AP diria no fim “Não Falei Nada”

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