A confissão(parte I)

Por: Ngongolo Sinalo Cheguei, como de sempre, um pouco nervosa. Fazia para fingir não ser perguntado onde estava. A porta estava aberta, entrei e fui ao quarto. O meu esposo estava na sala a escrever no computador. Troquei de roupa e fui à sala. Sentei-me no sofá a ver televisão. 
Não passaram dois minutos, ele me chamou:
– Mimosa, que perfume é esse?
Lembrei que o João, o meu amante esvoaçou-me seu perfume naquele abraço demorado que nem dois pombinhos apaixonados. Todas vezes que isso acontecia, costumava tomar banho e o bafo acabava. Franzi os lábios e calei. Vi que isso não adiantava, entreolhámo-nos e notei que ele ainda aguardava resposta.
– Passei por umas lojas de perfume e estreei uns e tantos. 
Reflecti: ” Não estou sendo justa e honesta para meu esposo que nada de errado fez. Terei que ganhar coragem e declarar, de mim para mim um basta. Um fim sim, porque a culpada sou eu. Se eu não tivesse aceite o João, eu estaria vivendo feliz com o meu esposo.”
Nada mais disse, continuou entretido no seu computador, como quem tivesse certeza que eu não era séria e honesta. Eu senti um peso da consciência descer até os olhos. Um fio de lágrima caiu. Com sentimento de culpa, insisti 
– Então, por que está calado. Pensa que (eu) estava aonde? 
Queria ouvir-lhe falando qualquer coisa, porque quanto mais falasse, saberia o que ele pensava de mim.
Não mais respondeu, aquilo foi lançar mais achas para o fogo de arrependimento que assolava o meu coração. Fui de novo ao quarto. Tranquei a porta e liguei para o João. 
– Olha João, as nossas fantasias sexuais devem terminar por aqui. Eu não quero mais me envolver em cenas eróticas contigo. Isso mesmo que você ouviu. Não me ligue mais e o o teu número que gravei na “cabeça” (com o medo de meu esposo desconfiar) vou fazer de tudo para esquecer. Desliguei e fiquei a chorar. 
Chorei muito porque parece-me que havia chegado o tempo para terminar e cuidar do meu lar, do meu esposo e dos meus três filhos. 
O meu esposo sempre me respeitou, mas o João apenas me respeitava antes de ver “lá”, mal que lhe mostrei até tem a coragem de dizer que as minhas “argolas” são curtas, são menores que as da esposa…
Nos primeiros momentos das nossas fugidinhas, o João dava-me mesada. Logo que tivesse salário, oferecia-me uns 5mil. Mas de uns tempos para cá, a linguagem dele é não tenho. Assim que tiver mando para teu millennium izi. Tem sido forma de proibir porque ele bem sabe que eu apenas uso M-pesa. 
Estou arrependida e muito. O meu marido sempre me cuidou e mantém atenção em mim e nunca tive queixa disso. Eu é que não estou a conseguir ser esposa. 

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