COVID-19: A discriminação pode matar mais que o vírus

Por: António Zefanias:

Fazem bem as autoridades de saúde em não divulgar por exemplo a identidade, muito menos as casas onde vivem os contaminados com a COVID-19, sob pena de acontecer um episódio, como aquele da mãe de bebé de Sofala que escapou linchamento.

Isto surge a propósito de tanta “chuva” de especulações, discriminação, etc por causa do anúncio dos dois casos nesta terça-feira em Quelimane.

Cada um fala o que sabe, quando quer e com quem quer. Atenção, que com isso não quero limitar a liberdade de expressão, mas é preciso compreender que isso de andar a discriminar pessoas, apontar bairros, extravasa a tal liberdade de expressão.

Nunca foi segredo para ninguém que tarde ou cedo, a nossa província, seja sei lá em qualquer distrito, iriamos registar casos de coronavírus. Os mais atentos, certamente sabia disso e já haviam sinais. Quando a malta dizia “fiquem em casa, usem máscaras, lavem as mãos, evitem estar em aglomerados”, respondiam que isso era coisa de lá. Aie…, coisa de lá e agora já está cá, todos estão em pânico.

Então, já estamos na lista das províncias positivas, vem o pânico e a descriminação, mesmo sem que conheçamos as pessoas. Isto é de facto preocupante e lembra-me nos tempos, quando o HIV era um tabu, qualquer um que fosse desconfiado em ter o vírus do HIV, até as famílias corriam com ele de casa, isolavam-no, enfim, momentos tristes.

É preciso olhar esta pandemia e tomar medidas que visam evitar a propagação, porque acredito que só assim é que iremos vencer. Conhecer ou não, quem está infectado, infelizmente não vai mudar em nada, nadinha mesmo, no meu modesto entendimento. Aliás, neste tipo de coisas é bem possível que nos mostrem alguém com tuberculose e logo concluamos que tem COVID-19.

Paremos com a descriminação, o pânico, as especulações, etc. O nosso maior dever neste momento é continuar com serenidade e bem orientados na prevenção, cada um ao seu nível.

Já foram anunciados os casos, não há volta. Tudo está nas nossas mãos, neste momento.

Aos nossos irmãos que neste momento estão nesta situação, embora sem sintomatologia, melhor ficarem calmos e cumprirem com todas recomendações. Nada de sair de casa para ir ao mercado, ora isso e nem aquilo. Cumpram com os 14 dias e também colaborem com as autoridades, dando todas explicações possíveis para quebrar essa cadeia de transmissão. Nós estamos convosco e acredito que as vossas famílias também estão. Se calhar vocês nem sabem como ficaram infectados, mas não desanimem, mantenham-se firmes e sairão logo desta.

Enfim, que Deus nos proteja e este coronavírus vai passar e nós voltaremos a não falar nada.

Enfim, que Deus nos proteja e este coronavírus vai passar e nós voltaremos a não falar nada.

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