Poeiras da mente do largo do Índico(1)

Engenheiro Henriques recebeu fax confirmando sua viagem, no dia seguinte, para Londres. Porém, pensou no monte de documentos que ladeava sua secretária. Pensou em despachar. Era difícil ver engenheiro todo o dia aquartelado no seu gabinete, mas por conta da viagem, preferiu continuar a trabalhar. Só saiu do gabinete, depois de dar vazão todo o expediente. Encerrou a porta, ligou para filha, a Joana, informando que estava em direcção à casa ido do serviço. Tropeou escadas abaixo e foi directo ao carro. Quando contornou para dar à rua que lhe levaria a sua casa, notou que a mesma estava bloqueada, um tronco enorme dividia a rua. Reduziu a marcha e foi parar defronte do obstáculo. O telemóvel tocou. Era a esposa. Antes de pressionar o botão verde, viu, através do retrovisor, quatro indivíduos mascarados, empunhando catanas e paus. Largou o telemóvel e na tentativa de manobrar, um deles apontou-lhe a arma e gesticulou, ordenando sua saída do carro. Logo que pousou os pés no chão, os quatro tencionavam imobilizá- lo. De repente ouviu-se:

– Parem!

Recuaram todos! Um indivíduo alto, mascarado, vestindo gabardina preta aproximou-se do engenheiro.

– É o sr. Henriques! De onde vem a esta hora?

De tanto medo, Henriques mijava-se. Com a voz trémula tartamudeou.

– Venho do serviço. Ajude-me por favor! Admoestou Henriques.

– Não te preocupes. Você está em boas mãos. Foi sorte eu conhecer-te. Teríamos acabado contigo aqui mesmo. Replicou o mascarado.

– Ajudem-me por favor! Reiterou Henriques.

– Vamos acompanhar-te. Você está correndo perigo de vida!

A gang removeu o obstáculo, tomaram o carro, e seguiram em direcção à casa. Dez minutos depois, Jecundo, o namorado da Joana ligou para o chefe da gang.

– Boa-noite! Diga-me lá, já silenciaste o velho-metido? Indagou.

– Não! Tivemos um problemão. O tipo estava armado. Neutralizou-nos. Assim, está levando-nos à sua casa. E, a condição para não nos matar é contando tudo para ele. E, nós havemos de preferir continuarmos vivos. Confessou o chefe da gang.

– Seu louco! Como deixou isso acontecer? Seu imbecil, vais contar o que? Pensas que ele vai acreditar nesse teu papo furado? Porcaria! A meio ao desespero e insultos, Jecundo desligou o telemóvel.

– Ouviste oh sr. Henriques? Tu corres perigo de vida.

Asseverou a gang.

– Eu não estou a perceber, o que se está passando. Eu estou assustado!

– O sr., não fez nada. Mas, como nós não nos importamos com com culpa ou razão, hoje mesmo seria teu último dia.

– Não me façam mal, por favor!

– Não! Não faremos mal nenhum. Por isso estamos a te acompanhar. Mas, teremos que conversar muito seriamente. Você deve saber a verdade, mesmo que dura e penosa.

De todos, coube Henriques desconfiar seu colega Belchior. Lembrou-se da briga que tiveram depois que ele foi indicado PCA da Companhia Aerovolladores. SARL. Em meio ao sentimento difuso, engenheiro Henriques foi pisando fundo em direcção à sua casa com a mesma velocidade de quem se apressa para salvar alguém do sufoco.

Enquanto isso, o Jecundo reflectia sobre a conversa que manteve com Sem demora namorada, chefe da gang. ligou para a Joana.

– Meu amor, o plano falhou. Estamos ferados. Os tipos não conseguiram acabar com a vida do teu pai.

– O que? Que merda! O que falhou? Meu Deus! Interrogou Joana toda fora de si.

– Não sei (…)

2 Comentários

  1. O Diário da Zambézia, agora com esta plataforma carimba de vez o selo de melhor jornal electrónico da província que busca informar/educar/entreter com isenção e imparcialidade.
    Está de parabéns todo elenco do Jornal Diário da Zambézia. Bem haja!

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